terça-feira, 25 de outubro de 2011

Não faça do seu trabalho uma tortura

Vamos imaginar que você entrará em um palco, para apresentar uma peça de teatro chamada "A superação de um dia após o outro". Nas cenas serão apresentados os desafios para colocar em prática, as promessas e os sonhos que você deseja realizar. Nos bastidores do espetáculo está tudo pronto. As cortinas começam a abrir e os holofotes acendem sobre você. Não há como retornar ao camarim. Mas agora, vamos parar de imaginar e acreditar que, para alcançar realizações, será fundamental transformar o trabalho em algo cativante e prazeroso. Faça uma avaliação dos dois ciclos abaixo e descubra que a paixão e a satisfação no ambiente profissional revelam novas oportunidades de crescimento.

Ciclo do trabalho como tortura - Por exercer uma atividade direcionada à insatisfação e ao desgosto, algumas pessoas abandonam o sentimento de amor ao próprio trabalho, que passa a ser um ciclo de vício e escassez de descobertas. Observe na imagem a seguir, que seu início ocorre com um clima de insatisfação diário, apoiado por constantes reclamações. Nesse estágio, é mais fácil apresentar justificativas, do que encontrar soluções para determinadas limitações. Em seguida, a ausência de qualificação reflete na limitação de ideias, na contribuição com sugestões de melhoria e no desenvolvimento de novos projetos.

O trabalho como tortura, completa o ciclo com a infelicidade profissional, que destaca o distanciamento da emoção pessoal em fazer uma atividade com satisfação. Na superfície, aparentemente há uma normalidade. Entretanto, no seu interior, há inúmeras insatisfações. Uma pessoa que faz do trabalho uma tortura, demonstra falta de comprometimento e com frequência, fica oculto atrás de problemas. Normalmente, são indivíduos que optam em manter uma estabilidade na carreira. Gente que no começo do ano, pega o calendário para verificar quantos feriados tem no meio da semana e encontram sempre um motivo a mais para comemorar o afastamento do trabalho. Você conhece gente assim?

Ciclo do trabalho como satisfação - Em perspectiva oposta, o trabalho como satisfação é um ciclo de constante crescimento com novas descobertas diárias, geradas por estímulo de fazer sempre o melhor. A vontade de continuamente aprender é um fator transformador para novas experiências. Esse ciclo apresenta seu início com a demonstração de um clima de valorização, apoiado pelo desejo de superar desafios pessoais e profissionais. Uma pessoa com satisfação no trabalho avança no desejo de inovar e abandonar rotinas improdutivas, pois a vontade de aprender, participar de processos de qualificação, treinamentos, palestras e cursos, enfatizam a constante atualização, permitindo observar oportunidades e empreender ações na própria atividade.

O trabalho como satisfação, completa o ciclo com a felicidade profissional, pois reforça a aproximação da capacidade de ser uma pessoa com experiência profissional, capaz de formar opiniões, analisar tendências e perspectivas no mercado de atuação. Com a satisfação, o ser humano constata que há obstáculos que, depois de ultrapassados, tornam-se importantes lições para auxiliar e contribuir na busca de um novo sentido para a vida pessoal e no desenvolvimento profissional. Por meio da satisfação, a oportunidade de compreender, conhecer-se melhor e se transformar, passa ser uma diferencial para perceber que às vezes, o que parece o fim pode ser um significativo começo para vencer.


Em 2011 não teremos eleições, jogos da Copa do Mundo e Olimpíadas. É hora de crescer e superar desafios, sem esquecer que o ano possui 365 dias para todas as pessoas. Então, concentre seus esforços no que deseja realizar e conceda prioridade absoluta para estimular seu potencial. Digo que: "O medo de fracassar levou inúmeras pessoas a desistirem da concretização de seus sonhos". Por medo, muitas pessoas não são felizes. Deixam de conquistar uma carteira de habilitação, de ingressar em uma faculdade ou concorrer a um cargo melhor na empresa.

Lembre que "vencer" e "perder" têm a formação de seis letras, assim como "alegre" e "triste", entretanto, o desejo de realizar uma dessas ações, apresenta na prática resultados negativos ou favoráveis ao seu sucesso. Procure aproveitar cada novo dia para fazer a diferença na sua própria vida, sem esquecer, que no final do espetáculo, no dia 31 de dezembro de 2011, você receberá inúmeros aplausos, por conseguir progredir. Lembre que o palco da sua apresentação é a sua vida e, somente há uma pessoa, capaz de mudar o rumo dessa apresentação. Essa pessoa é você e o momento para colocar em prática não é amanhã, é agora!

Ser é mais importante do que ter

Hoje, vivemos em um mundo extremamente competitivo onde as pessoas buscam desesperadamente, e a todo custo, acumular bens materiais, ter corpo perfeito, conseguir mais tempo, status e poder, e assim, caminhamos dentro de um contexto de vida estressante, nascisística e insaciável. Muitas vezes, nos esquecemos de que não obstante à fugacidade da vida, o que vem em primeiro lugar é SER, em seguida FAZER, para depois vir a TER.

Se você busca tornar-se um profissional e um ser humano melhor, e vem executando seu trabalho com amor e dedicação, o resultado financeiro positivo será inevitável e uma mera consequência de seus pensamentos e suas atitudes. Certa vez ouvi uma definição de status que guardei na memória por ter considerado interessante e hilariante, motivo pelo qual transcrevo a seguir: "Status é comprar o que você não precisa, com o dinheiro que você não tem, para mostrar para aqueles que você não gosta, aquilo que você não é".

Penso que existe uma grande verdade inserida nessa frase. Na medida em que a pessoa amadurece, ela tende é de se preocupar menos com a busca pelo status e passa a procurar mais sua auto-realização. Entretanto, existem pessoas que não conseguem libertar-se da chamada "Síndrome de Peter Pan"; são aquelas que se recusam a amadurecer, apesar da idade.

É importante ter saúde sim, e não vale à pena perdê-la e acumular riquezas, para num futuro breve ter que gastar toda fortuna na tentativa de reaver a saúde que se foi. Não obstante isso ser uma absoluta falta de inteligência, muitas pessoas hoje ainda o fazem. A vida é uma bela viagem e importa mais aproveitar bem esta viagem do que se preocupar apenas com o destino final.

É essencial investir na sua estrutura pessoal e profissional, tendo um objetivo em mente que esteja relacionado aos seus valores pessoais e, em seguida, partir para a ação. O importante não é apenas o objetivo em si, mas sim o que o objetivo faz conosco e como.

Tenha sonhos grandiosos e trace metas. Se você possui uma direção, faz sentido organizar sua agenda. O importante não é o que acontece conosco e sim o significado que damos para aquilo que ocorreu em nossas vidas. Saiba que o fracasso não existe, o que ficam são resultados que consideramos satisfatórios ou não. É importante que estejamos aprendendo, a cada instante, dentro de nossa organização ou de nosso negócio próprio. Se não estamos aprendendo e crescendo é porque chegou a hora de mudar.

Mude você ou se mude. Todos nós sabemos que mudar não é fácil. É tão difícil mudar que pesquisas demonstram que o ser humano tem menos medo da morte do que da mudança. A mudança nos deixa incomodados e ansiosos, justamente porque nos tira da chamada zona da conforto. É preciso renovar-se a cada. A medicina nos ensina que fisicamente não somos mais a mesma pessoa que fomos há sete anos atrás, já que nesse intervalo de tempo todas as células do nosso corpo renovaram-se. Precisamos nos conscientizar de que tudo mudou, muda e mudará.

É preciso ter criatividade e coragem para mudar, crescer e se desenvolver a cada dia. Ser louco é fazer sempre a mesma coisa, da mesma maneira e querer obter resultado diferente. Entretanto, diariamente observamos a insanidade comandando a rotina paralisante na vida de muitas pessoas. É preciso estar aberto às mudanças e é necessário desbloquear e dar vazão ao fluxo da vida. Busque um sentido para sua existência e a direção a seguir ficará mais clara e visível. Se você tem uma meta, um sonho grandioso, tudo começa a fazer sentido e você passa a amar a si mesmo cada vez mais.

Administre bem o seu tempo, pois este é um bem insubstituível, enquanto que os bens materiais são substituíveis. E se você não tomar conta da sua vida, certamente alguém irá tomar conta por você. O dia a dia de toda pessoa é bem parecido, o que faz a diferença são os pequenos detalhes.É bem verdade que o hábito faz o monge. Cuide-se, pois o tempo não pára, nunca volta. O dinheiro é algo muito importante quando bem utilizado, entretanto saiba que dinheiro algum será capaz de nos fazer recuperar o tempo perdido e mal utilizado. Portanto, divirta-se mais, ame mais e perdoe mais a si mesmo e aos outros. Utilize com sabedoria seu dinheiro e seu tempo!

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Garantindo o crescimento profissional competindo com ética

Você já parou para pensar como tudo na natureza é regido pela competição? As plantas disputam espaço e alimento. Os animais lutam par garantir o território e a chance de procriar. Com os homens a história não é diferente. "Competir não é um coisa ruim, pelo contrário, é uma das forças motrizes da vida e um dos principais responsáveis pelos avanços da sociedade", avalia Maria Cristina.

Foi por meio das disputas que os grandes atletas conseguiram alcançar marcas impensáveis e que os cientistas desenvolveram novas tecnologias, só para citar dois exemplos. "É justa a competição que se inspira no respeito mútuo e no reconhecimento de que sem competidores não tem partida", completa o físico Luis Carlos de Menezes."O importante é lutar com armas como o talento, a inteligência, a técnica e a experiência."

Seja qual for a razão que leva alguém a entrar numa disputa no ambiente de trabalho, ela jamais deve se sobrepor ao comportamento ético. Dissimulações, manobras, rasteiras e mentiras devem ficar de fora da briga. Coisas que, infelizmente, ainda são bastante comuns nos dias de hoje.

União de forças
Valorizar o trabalho em equipe e entender que o conhecimento construído coletivamente é fundamental para desmitificar o desejo individual da autossuficiência. "No ambiente corporativo, a colaboração deve ser a base da competição. As chances de sucesso são maiores quando todos se preparam para alcançar um objetivo comum, pois a união de forças garante um maior conhecimento acerca do objeto da disputa", ressalta Eugenio Mussak, consultor em desenvolvimento humano e profissional, de São Paulo.

Por outro lado, ninguém tem que se sentir infeliz por perder uma partida. As contingências que levaram a esse desfecho podem se transformar em oportunidades mais à frente. "Uma vitória não se conquista ao acaso. Ela é fruto de muita dedicação e preparação", diz Mussak. Assim, competir deve estar ligado a se autossuperar e melhorar sempre. Um aprendizado para lá de importante e que pode garantir no futuro um comportamento diante das derrotas da vida muito mais seguro e livre das frustrações que costumam bater à porta quando perdemos uma batalha.

sábado, 27 de agosto de 2011

Empresários apostam em centros de treinamento para driblar falta de qualificação

Enquanto pequenas empresas buscam centros externos, as grandes investem em universidades corporativas


Com a escassez de mão de obra qualificada, cada vez mais empresários têm investido na capacitação e aprimoramento profissional de seus contratados. Diversificadas de acordo com o porte do empreendedor, as alternativas costumam ir desde a inclusão de poucos funcionários em programas de aperfeiçoamento terceirizados até a capacitação técnica oferecida pelas chamadas universidades corporativas.

A escolha por determinado modelo educacional, entretanto, dependerá das necessidades de cada empregador. “O centro de treinamento é voltado para a qualificação da mão de obra de base de uma empresa”, esclarece o diretor nacional de educação da ABRH-Nacional (Associação Brasileira de Recursos Humanos), Luiz Edmundo Rosa.

Para ele, o recurso tem se mostrado uma excelente iniciativa para suprir as deficiências de formação dos jovens que chegam despreparados no mercado de trabalho. “É preciso investir nestes profissionais, pois a qualificação destas pessoas têm sido inferior às necessidades das organizações”, avalia.

Universidades empresariais


O recurso costuma ser muito utilizado por empresas de grande porte, que adotam em sua própria base unidades de ensino para seus funcionários. São exemplos em nosso País, a Petrobras (Universidade Petrobras), a Caixa Econômica Federal, a Datasul e o Serpro. Já no exterior, as universidades corporativas da Shell Oil Corporation e da rede de hotéis Accor se mostram como boas referências.

“As universidades empresariais são completas e trazem programas mais longos para os profissionais. A da Petrobras é um exemplo disto, afinal, o segmento de petróleo é muito específico e precisa de trabalhadores com habilidades que o ensino nacional não consegue preparar”, diz Rosa.

Tamanho é documento


A recomendação é que os funcionários das micro, pequenas e médias companhias recorram aos serviços de qualificação terceirizados, como os oferecidos pelo Sebrae e por outras empresas de capacitação.

“Apenas recomendamos o desenvolvimento de uma unidade de qualificação própria para os empreendedores que precisarem capacitar mais de 15 funcionários. Do contrário, o custo desta operação se torna inviável”, informa o consultor jurídico do Sebrae SP, Paulo Melchor.

Deste assunto, o proprietário da empresa de artefatos de borracha Sig-Rool também entende bem. “Utilizamos centros terceirizados, pois nossa empresa é pequena. Esta foi a forma que encontramos para capacitar nossa equipe, que chega ao mercado com um bom conhecimento teórico, mas com pouca experiência prática”, diz Waldir Soares da Silva

Produtividade garantida


Para Rosa, o crescimento dos profissionais costuma ser notável. “Além de terem o emprego garantido, eles [funcionários] são beneficiados com a oportunidade de qualificar seus serviços para garantirem melhores oportunidades de carreira, seja dentro da própria empresa ou em outras companhias”, ressalta.

Cursos mais procurados


“Já observamos uma grande procura por cursos de aperfeiçoamento em idiomas e nas áreas de atendimento em geral. Todos querem uma fatia dessa oportunidade que se vislumbra no cenário nacional”, diz Melchor.
 

Atualmente fica difícil mensurar quais são os cursos mais procurados pelos empregadores para a qualificação de seus empregados. Contudo, sabe-se que a proximidade da Copa 2014 e das Olimpíadas de 2016 têm aquecido o mercado hoteleiro.
O investimento feito nos trabalhadores costuma trazer ganhos de produtividade para os empregadores e um aperfeiçoamento profissional aos funcionários que participam destes cursos de qualificação.
Desenvolver um centro próprio exige recursos. Por esta razão, a instalação de uma unidade de treinamento na sede da empresa dependerá prioritariamente do tamanho da organização.
Um novo conceito utilizado no mercado é o das universidades empresariais ou corporativas. Destinadas ao ensino técnico em um grau mais aprofundado, normalmente são vinculadas a instituições públicas ou privadas que tenham necessidades muito específicas de formação de seus candidatos.

Geração Z é mais conectada, fuma menos e lê pouco, diz pesquisa

Os resultados mostraram que praticamente 100% dos jovens entre 14 e 19 anos (Geração Z) participam de alguma rede social


A Quest Inteligência de Mercado divulgou um estudo que analisa o mercado de diferentes faixas etárias. Foram ouvidas 600 pessoas na capital paulista, com idade entre 14 e 51 anos, para realização do "São Paulo em Foco: Gerações X, Y e Z". A pesquisa revela as diferenças e similaridades existentes entre essas três Gerações – X (32 a 51 anos), Y (20 a 31 anos) e Z (12 a 19 anos).
Os resultados mostraram que praticamente 100% dos jovens entre 14 e 19 anos (Geração Z) participam de alguma rede social, 75% usam celulares (16% navegam na Internet por esses aparelhos) e 60% se preocupam com a beleza do corpo e do rosto.
Paralelamente, a faixa etária entre 32 e 51 anos (Geração X) continua com assíduos leitores (55%) e os adultos entre 20 e 31 anos (Geração Y) mantêm o hábito de visitar os amigos (51%) e de consumir refrigerantes (52%). Os jovens da Geração Z, entretanto, leem menos (14% preferem jornais e 23% revistas).
"A principal diferença entre as gerações está no uso que fazem da Internet, das redes sociais e da tecnologia. Isso se reflete em seus hábitos de consumo, comportamento de compra e lazer", explica Luís César Périssé, sócio-diretor da empresa e coordenador da pesquisa.
Segundo ele, a Internet promove grandes mudanças sociais e essas gerações têm sido os principais agentes de mudança, dependendo do seu grau de interação social, isto é, da sua capacidade de influenciar pessoas por meio de suas ações na web.
"São agentes de mudanças os que produzem e compartilham conteúdo na web e nas redes sociais: 61% no total das 3 gerações. Na Geração Z essa proporção se eleva para 79%, na Geração Y, 71%, e na geração X, 48%", informa Périssé.
Para quem não sabe, o "Z" é a denominação comum daquilo que esses jovens fazem de melhor: zapear, saltando com desenvoltura da TV para o telefone; do videogame para alguma rede social na web; ou do MP4 para o e-book.
Esta controversa geração é consumidora voraz das novidades que o mundo tecnológico tem a oferecer, mudando de atitude tão rápido quanto uma mensagem no Twitter. Com o mundo 2.0 no DNA, é difícil imaginá-los vivendo da mesma forma que as gerações anteriores – sem telefone móvel, Internet, MP3, câmeras digitais ou tevê a cabo.
"Nascida sob os auspícios da estabilidade econômica, em um país com inflação de um dígito e governo democrático, a chamada Geração Z é um fenômeno que encanta e surpreende, pela sua enorme capacidade de assimilar as transformações tecnológicas em curso, neste mundo 2.0", enfatiza o coordenador da pesquisa. 

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

TENDÊNCIAS DO MUNDO DO TRABALHO

As tecnologias da informação, em especial as redes virtuais de comunicação, têm ajudado a construir uma nova ordem econômica, na qual o conhecimento assume papel primordial. Esse novo momento redimensiona a demanda de trabalho e afeta diretamente os trabalhadores, pela intensa concorrência que se efetiva por formas de racionalização na produção e na gestão. Segundo Peter Drucker, o impacto dessa nova economia – que apenas começa a ser sentido – está sendo gerado pela “emergência explosiva da Internet como importante canal de distribuição de bens, serviços e, surpreendentemente, empregos na área administrativa e gerencial”.

Na opinião do economista Gary Becker, uma das características da atual fase é a crescente importância que vem sendo atribuída às idéias, hoje mais valorizadas do que os ativos físicos. Nesse sentido, o diferencial de uma empresa não é mais o seu avanço tecnológico – rapidamente copiado pela concorrência –, mas a qualidade dos serviços oferecidos. E o sucesso das pessoas que prestam serviços cada vez mais depende da educação.

Observa-se que a baixa escolaridade constitui fator restritivo ao ingresso no mercado de trabalho. Segundo o DIEESE (Departamento Intersindical de Estudos Econômicos), o próprio mercado revela às pessoas que, na atual estrutura econômica, as chances de se conseguir trabalho variam de acordo com a escolaridade. Nos últimos anos tem-se verificado aumento na taxa de crescimento do emprego com maior exigência de escolaridade, até mesmo em atividades simples. Um frentista, por exemplo, tem que, no mínimo, saber operar a máquina de cartão de crédito e as bombas automáticas, além de servir aos clientes com qualidade.

Ao contrário de muitos países, o Brasil só recentemente começou a adotar medidas visando resolver antigos problemas educacionais, especialmente o alto nível de repetência e a evasão escolar no ensino fundamental. As providências tomadas resultaram em significativo aumento de matrículas no ensino médio. Segundo André Lahóz, “nos últimos cinco anos houve um crescimento de 57% nas matrículas, o equivalente a um acréscimo de quase 3 milhões de novos alunos”. Isso mostra que o ensino médio e o técnico são os grandes desafios para a educação nos próximos anos.

A exigência do mercado por trabalhadores qualificados (com níveis mediano e alto de instrução), aliada à escassez do emprego formal, vem acarretando significativas mudanças no mercado de trabalho, tais como:
 
  • mudança no perfil etário da população atualmente empregada. Ao contrário do que ocorria em momentos anteriores, a preferência atual – manifesta através da oferta de trabalho – é por trabalhadores mais velhos (e mais qualificados), em detrimento dos mais jovens, que adiam a entrada no mercado em busca de mais qualificação. (Guimarães e Campos, 1999)
  • tendência à redução da oferta de emprego nos setores primário e secundário da produção. O setor terciário, mais especificamente o setor de serviços, analisado separadamente do comércio, tem sido o responsável pela absorção de mão-de-obra – concentrada nos segmentos de limpeza, hospedagem e alimentação.
  • aumento do grau de informalidade do mercado de trabalho brasileiro, observando-se um crescimento significativo dos empregos no segmento não-organizado, em detrimento daqueles oferecidos pelo setor formal da economia. Segundo o IBGE, o setor informal empregava, em 1997, 12 milhões de brasileiros, o que corresponde a 25% dos trabalhadores urbanos, concentrados, prioritariamente, nas atividades de comércio, serviços de reparação, pessoais, domiciliares e de diversão.
  • ênfase na laborabilidade, em detrimento da empregabilidade na formação dos indivíduos. Ou seja, valoriza-se mais o desenvolvimento e o aprimoramento de competências e habilidades para o desempenho e a atuação profissional no mundo do trabalho, em detrimento da formação para ocupação de postos específicos no mercado de trabalho.
Esses fatores considerados globalmente repercutem na estrutura das ocupações – alguns postos de trabalho deixam de existir, enquanto outros são criados – e também sobre a qualificação dos trabalhadores. Matoso (1995) reflete sobre a insegurança gerada no mercado de trabalho, em função dos elevados índices de desemprego e das desigualdades dos indivíduos frente à situação de exclusão temporária ou permanente do mercado, e aponta outros tipos de insegurança, decorrentes dos seguintes fatores:
  • enxugamento de pessoal, utilização de trabalhadores eventuais e terceirização de algumas etapas do trabalho;
  • variações e falta de estabilidade dos rendimentos, uma vez que a flexibilização das relações de trabalho ocasiona disparidades salariais, muitas vezes no interior de uma mesma empresa;
  • relações contratuais de trabalho, referentes às novas formas de negociação individual em detrimento da negociação coletiva, que forçava o empresariado a assumir compromisso mais geral com os trabalhadores, de acordo com padrões socialmente aceitáveis de condições de trabalho. Decorre daí o enfraquecimento dos canais de negociação dos trabalhadores, afetando a sua participação no movimento sindical.
Alguns autores consideram esse momento da economia como conseqüência da era pós-industrial, em virtude da redução de postos de trabalho na indústria. Porém, não se pode simplesmente afirmar que os empregos do setor industrial vêm caindo, sem levar em conta que muitos trabalhos da indústria, por reestruturações organizacionais, são categorizados agora no setor de serviços. Diferentemente daquilo que ocorre em outros lugares, os serviços que crescem na região metropolitana (que concentra a maior porcentagem da PEA – População Economicamente Ativa) são aqueles originários de demandas das indústrias, tais como consultoria, publicidade, direito, design e informática. A área de informática ilustra bem o quadro de mudanças que redesenha a atividade econômica. “Segundo José Aníbal, secretário de Ciência e Tecnologia de São Paulo, o estado deve receber 75% dos investimentos de empresas de informática projetados no Brasil”
Para Castells, “o que é mais distintivo em termos históricos entre as estruturas econômicas da primeira e da segunda metade do século XX é a revolução nas tecnologias da informação e sua difusão em todas as esferas de atividade social e econômica, incluindo sua contribuição no fornecimento da infra-estrutura para a formação de uma economia global.” Por essa razão, aquele autor prefere chamar o período em foco de informacional.

Ao alterar a ênfase analítica do pós-industrialismo para o informacionalismo, Castells afirma que “é um fato óbvio que a maior parte dos empregos nas economias avançadas localiza-se no setor de serviços e que esse setor é responsável pela maior contribuição para o PNB [Produto Nacional Bruto]”. Mas ao afirmar isso, ele não quer dizer que as indústrias estejam desaparecendo ou que a estrutura e a dinâmica da atividade industrial sejam indiferentes à saúde de uma economia de serviços. Nas últimas décadas ocorreu no Brasil uma expansão dos empregos em serviços, e tal fato possibilitou a absorção de trabalhadores oriundos do setor industrial. Contudo, o setor de serviços também tem sido afetado pela reestruturação produtiva, o que acarreta uma redução no ritmo do seu crescimento e uma ampliação dos índices de desemprego. Os exemplos dessa afirmação se referem ao setor bancário e à privatização do serviço público.

Castells também confirma que, se por um lado temos um aumento na demanda por profissionais superqualificados, por outro, a sociedade abre espaço para a participação (via setor de serviços) de pessoas com baixo nível de qualificação. Segundo o autor, o prognóstico mais comum, original da teoria pós-industrial, prevê apenas a expansão das profissões ricas em informação, como os cargos de administradores, profissionais especializados e técnicos, não considerando o crescimento das profissões em serviços mais simples e não-qualificados.

A análise feita por Castells esclarece e fundamenta o levantamento feito na pesquisa “Banco de dados: trabalho e emprego através dos classificados”, onde fica evidenciado que algumas ocupações para cargos administrativos e gerenciais exigem um altíssimo grau de escolaridade, enquanto que a demanda por outras ocupações exige uma série de competências gerais, apesar de um baixo nível de escolaridade. Essas últimas ocupações, por mais que conservem o mesmo rótulo de um tempo atrás, sofreram mudança radical na natureza do trabalho exercido por seus ocupantes, apesar de a necessidade por qualificação mais ampla, em alguns casos, não estar refletida na exigência do nível de escolaridade, mas no domínio de determinadas competências.

O termo competência tem sido aplicado à educação profissional a partir das transformações ocorridas no mundo do trabalho. No entanto, não existe consenso sobre essa noção, e ela tem sido utilizada em contextos diferenciados e com significados distintos.
O modelo da competência sugere que a qualificação de um indivíduo está posta menos no seu conjunto de conhecimentos e habilidades, mas principalmente em sua “capacidade de agir, intervir, decidir em situações nem sempre previstas ou previsíveis.”
Essa capacidade implicaria a “mobilização de competências adquiridas ou construídas mediante aprendizagem, no decurso da vida ativa, tanto em situações de trabalho como fora deste.”
O modelo da competência confere grande importância aos “atributos pessoais” do trabalhador. Dentre as “qualidades pessoais” atualmente demandadas, podem ser mencionadas12:
  • espírito de equipe – “a necessidade do trabalho em equipe e a identificação com os objetivos da empresa constituem a base do espírito de equipe”;
  • responsabilidade – “refere-se ao esforço de fazer cumprir o compromisso assumido com a empresa”;
  • autonomia – “refere-se à capacidade do trabalhador de se antecipar aos comandos das chefias e agregar voluntariamente várias tarefas e intensificar seu próprio ritmo de trabalho”;
  • iniciativa – é definida como “a disposição para assumir e desenvolver um trabalho de forma espontânea e rápida”;
  • capacidade de comunicação – “é requerida por exigência da responsabilização grupal pela produção, de maneira a facilitar a troca de idéias e opiniões sobre um assunto até que se alcance o consenso” ;
  • flexibilidade – “constitui-se em uma reatualização de valores, sob a ótica empresarial; é a capacidade do trabalhador de mudar hábitos arraigados”;
  • cooperação – é definida como “uma disposição de trabalhar eficazmente com outras pessoas em um grupo; prontidão de oferecer espontaneamente ajuda aos outros, sem tirar proveito da situação. A identificação com os objetivos da empresa reflete uma atitude de cooperação em torno dos seus objetivos” ;
  • interesse e atenção – são definidos como “a vontade de dirigir os sentidos para situações de aprendizagem ou trabalho durante certo período. Referem-se, ainda, à valorização da aprendizagem no trabalho pelo operário”.
Considerando que a educação profissional entendida pelo Senac extrapola a simples correlação com o mercado de trabalho, uma vez que busca a formação do cidadão, torna-se necessário refletir sobre as conseqüências para o futuro trabalhador da adoção do modelo de educação profissional baseado em competências. Nesse sentido, assim se manifesta Paiva: “não se trata apenas de qualificar para o trabalho em si, mas de formar para a vida na qual também se insere o trabalho nem sempre como foco fundamental da existência, com uma flexibilidade e um alcance suficientes para que se possa enfrentar o emprego, o desemprego e o auto-emprego” – de modo a “permitir rápidas reconversões e reprofissionalizações ao longo da vida”.

Compreendido na perspectiva apontada por Paiva, o modelo das competências, no âmbito das instituições que atuam no campo da educação profissional, favorece uma articulação do mundo do trabalho com as diversas questões presentes na sociedade – a questão do meio ambiente, por exemplo –, de maneira a promover a construção da cidadania.
O ganho – e também o desafio – é educar o trabalhador, no sentido de atuar de modo participativo e ativo dentro e fora do mundo do trabalho, como profissional e, também, na condição de cidadão consciente de seus direitos e responsabilidades e dos valores humanos que devem reger a vida em sociedade.